Não vivi a época de ouro dos cinemas de rua em Santos. Ouvi, maravilhada, histórias de salas com oitocentos lugares, sessões lotadas, filas que dobravam a esquina e bilheterias a céu aberto. Mas para quem, como eu, nasceu nos anos 1990, cinema de rua se tornou exceção, não regra. Inaugurado em 1991 no calçadão da praia, o cinema nasceu da iniciativa do crítico santista Rubens Ewald Filho, em parceria com outros intelectuais da cidade, que apresentaram à então prefeita Telma de Souza a proposta de criar um espaço voltado ao cinema de arte, aquele que não encontra espaço nas grandes redes comerciais. O primeiro filme exibido ali foi o alemão Asas do Desejo (1988), de Wim Wenders, Anjos entre o céu e a cidade, entre o tempo suspenso e o agora. Uma estreia que não anunciou apenas um cinema, mas uma forma de ver: com escuta, com cuidado e com silêncio. Hoje, a sala leva o nome de Rubens em justa homenagem à sua importância para a crítica cinematográfica nacional e para a cultura de Sant...