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Mostrando postagens de setembro, 2025

O Último Azul

  Em O Último Azul , de Gabriel Mascaro, o tempo já não é só o que escorre: é o que empurra. Num futuro próximo, e reconhecível, o Brasil oficializa seu desprezo: os velhos devem partir. São levados para colônias isoladas, longe da cidade, dos filhos, da vida que ajudaram a construir. A velhice, reduzida à falência, é tratada como entulho: um problema a ser recolhido pelo “carro cata-idosos”. Mas Tereza, nossa protagonista, aos 77 anos, recusa esse destino sem nome. É um corpo que recusa ser lido como peso. Ela não aceita ser levada. Ela embarca. Seu corpo se torna navegação, ela não observa o rio: ela entra. E o que poderia ser fuga vira travessia. Um corpo em movimento que não pede justificativas: existir já é argumento suficiente. Filmado em Manacapuru, Novo Airão e Manaus o Último azul não coloca o rio como paisagem, mas como veia viva . A Amazônia ,tão frequentemente moldura, não é cenário: é cúmplice. A floresta, que nunca exigiu produtividade para abrigar uma ...